sexta-feira, 13 de julho de 2007

Tudo o que o vento levou...

Estava a passear pela floresta que desconhecia, árvores que não me tocavam mas cujas folhas repletas de ar puro não conseguia sentir na minha pele áspera e magoada. Cheguei a um lago, claro e puro, onde os peixes vibravam e seguiam a corrente para chegar ao seu destino; ajoalhei-me e olhei para o lago, vi tudo o que se passava no mundo fora da floresta: os problemas das pessoas que me são mais queridas, as respostas que faltavam saber ás questões mais evidentes...Tudo o que podia fazer era escutar e ver o que se passava, mas estava satisfeito ao ver tudo compõr-se, os problemas a desaparecerem, e o lago cada vez mais calmo. Levantei-me e deixei de pensar nos outros, e lembrei-me daquilo que não sentia, daquilo que era, daquilo que temia...Lembrei-me da minha imagem porque a imagem dos outros estava resolvida; voltei a olhar para o lago, e vi uma imagem distorcida, de um pequeno rapaz, perdido, sem ninguem ao seu redor, longe de tudo e de todos, conhecendo somente dor...Eu sentia a dor do rapaz, sentia com tanta força como se fosse minha, a imagem começou a ficar mais visivel, mais forte...O rapaz olhou-me nos olhos, parecia-me tão familiar...Quando o lago ficou novamente liso, a imagem revelou-se na totalidade...O rapaz era eu, a dor que ele sentia era minha, a sua solidão era o que eu estava a passar, e foi ai que entendi...O meu consolo era ver os outros no meu lago, ver que ainda os podia ouvir, escutar, e pensar neles...No quanto são felizes, sem mim, com os outros que os rodeiam. Finalmente faz sentido, que o sitio onde estou é me destinado, a solidão é a minha irmã e a dor o meu irmão...Por tudo aquilo que lutei, foi tudo levado pelo vento que não me levou a mim, porque talvez ele queira que viva com os meus irmãos, num local que não desejo a ninguem. Pois somente aqueles que merecem castigo, são castigados e não interessa a visão de justiça de ninguem, pois toda a gente tem o que merece.

Não concordo com a vida que me foi dada, mas talvez concorde com a morte que me seja recompensada, pois eu distorci todas as imagens do lago, porque queria sentir o amor,sentir a felicidade, na minha pela, a fluir gentilmente...Queria conhecer o ar puro que todos conhecem em meu redor, queria ter a luz no meu rosto e chorar lágrimas que mostravam que o meu sofrimento tinha terminado...
O lago mostrou o rapaz a ir em direcção á escuridão, mas nunca mostrou ele a sair daquele local tenebroso, considerei que era o meu futuro e que para lá chegar, só bastava aceitar que de facto, não mereço estar entre as almas felizes, e mereço realmente, estar na floresta, onde tudo o que posso reclamar, é de tudo o que vento levou

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